EU USO ÓCULOS


Há algum tempo venho ensaiando para tratar de um assunto que não diz respeito diretamente à corrida, mas às relações que ela pode proporcionar. Na verdade este é um texto para tentar explicar e me desculpar por uma falha que me pertence.

Uso óculos desde os 6 anos de idade. Inicialmente para corrigir o impacto da miopia e do astigmatismo. Aos 16 anos, já com um grau considerável, adotei as lentes de contato que me ajudavam muito, principalmente para as atividades esportivas. Porém, um belo dia já não podia mais usá-las por conta de uma alergia. O ano era 1987, eu tinha 20 para 21 anos, e Herbert Viana, que também usava óculos e fazia sucesso admitindo os quatro olhos à frente do Paralamas do Sucesso, servia de referência para minha geração por ter sido dos primeiros famosos a abraçarem a cirurgia que corrigia a deficiência visual.

Em uma das minhas consultas de rotina ao oftalmologista fui convencido a também fazer parte do time dos libertos da armação. A cirurgia com bisturi de diamante me livrou dos óculos até 2009, quando tive um descolamento de retina no olho esquerdo e passando dos 40, precisei voltar a adotar o olho auxiliar, especialmente para leitura de perto. Mas a miopia também retornou e um bifocal passou a ser meu companheiro.

Por que estou dizendo isso tudo em um blog de corrida? Porque quando corro não uso os óculos e um míope sem os óculos tem muita dificuldade em enxergar bem a fisionomia das pessoas. É por isso que muitas vezes cumprimento corredores por aí, que me chamam pelo nome, especialmente nos longões dos sábados na USP, mas muitas vezes não sei de quem se trata.

Para piorar este quadro tenho um outro problema: sérias dificuldades para guardar nome e fisionomia das pessoas. Já pesquisei se isto é alguma síndrome, mas não encontrei nada a respeito. Isso é tão sério que sou capaz de conversar com você hoje e amanhã não conseguir te reconhecer passando ao meu lado. Quantos vexames já protagonizei; quanta gente deve ter me achado maluco ou arrogante.

Dizem que Paulo Maluf – sim, o político condenado por desvio de dinheiro público - é um especialista na arte de decorar nomes e fisionomias de pessoas que ele viu anos atrás, graças a uma técnica utilizada. É, o cara domina várias técnicas, uma boa e outras reprováveis.

Adoro quando alguém se aproxima, diz o nome e de onde me conhece, é a melhor coisa que pode acontecer e por causa disso muitas vezes também uso essa estratégia para me apresentar a alguém que não vejo há muito tempo, tentando evitar que a pessoa passe pelo constrangimento de não se lembrar de mim ou do meu nome.

Por isso quero pedir a você que continue me cumprimentando, me chamando, mas antecipadamente me desculpo caso não te responda pelo nome ou não te reconheça imediatamente. E fico na espera do Herbert Viana arrumar um tratamento para este distúrbio também. E compor mais um sucesso com o Paralamas.

Coma bem, corra bem, viva bem.


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